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Agronegócio

Catadores de materiais recicláveis recebem menos que o salário mínimo em MT, aponta pesquisa

Last updated: 15/09/2025
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Catadores de materiais recicláveis recebem menos que o salário mínimo em MT, aponta pesquisa
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Pesquisa desenvolvida pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT) aponta que os catadores de materiais recicláveis recebem, em média, R$ 1.147,73 por mês – cerca de 24,3% a menos que o valor do salário mínimo. O estudo também revela que a renda mensal varia de acordo com as flutuações do mercado, o que aumenta a vulnerabilidade financeira da categoria.

Segundo o levantamento, a maioria dos catadores (69%) é formada por homens, com idades entre 35 e 54 anos, e com baixa escolaridade, em que apenas 33% concluíram o ensino médio. O acesso limitado à informação faz com que apenas 12% destes trabalhadores conheçam programas e legislações relacionadas à reciclagem.

De acordo com a analista Técnica Jaqueline Trentino, responsável pelo estudo, uma das principais dificuldades enfrentadas pelos catadores é o baixo valor pago pelos materiais recicláveis. “Cerca de 77% dos participantes afirmam que esta realidade compromete diariamente a sustentabilidade financeira, mesmo para quem trabalha longas jornadas”.

Segundo ela, para 39% dos entrevistados, outra dificuldade é a falta de um espaço adequado para fazer a triagem e armazenamento do material coletado. “Isso traz desafios para a produtividade, a segurança e a qualidade dos recicláveis”, destaca Trentino.

Programa Pró-Catadores

No começo deste ano, o Sebrae/MT lançou o programa “Pró-Catadores”, com o objetivo de fortalecer a cadeia de produtiva por meio da conexão e transformação de três atores principais: prefeituras, cooperativas e profissionais do setor. Atualmente, a iniciativa contempla os três biomas do estado (Amazônia, Cerrado e Pantanal) e está presente em dez cidades, sendo elas: Cáceres, Cláudia, Colíder, Conquista D’Oeste, Jaciara, Juara, Lucas do Rio Verde, Nossa Senhora do Livramento, Nova Mutum e Tangará da Serra.

Até 2026, a meta é atender 300 profissionais, oferecendo capacitações e orientações sobre regularização e sustentabilidade financeira, como explica a analista Técnica Danielle de Jesus. “Estamos trabalhando para que estes profissionais possam atuar de forma eficiente e sustentável, principalmente tendo saúde financeira através do seu trabalho tendo como atores principais deste processo o engajamento das prefeituras e, também, dos empresários locais do território onde eles atuam, fomentando uma real transformação econômica. Em tempo, o Sebrae Mato Grosso convida órgãos públicos e empresários locais para firmar parcerias e contratos com estes catadores profissionais”, pontua.

Para o gerente de Desenvolvimento Territorial do Sebrae/MT, Sandro Rossi, o programa representa um incentivo à economia circular no estado. “Quando a equipe do Centro Sebrae de Sustentabilidade elaborou este projeto em conjunto com nossa equipe, identificamos que a gestão de resíduos sólidos e a reciclagem estão no centro do debate global sobre sustentabilidade e transição para uma economia de baixo carbono. Em Mato Grosso – marcado pela forte atividade agroindustrial e pelo crescimento urbano acelerado – a logística reversa e a economia circular enfrentam desafios estruturais, culturais e econômicos, mas, que podem ser superados”, afirma.

Pesquisa

A pesquisa foi realizada entre 4 de julho a 2 de agosto de 2025, por meio de entrevistas telefônicas e presenciais, com 352 catadores de resíduos. O estudo apresenta uma taxa de confiança de 95% e margem de erro de 4%.

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